#Crucial21DbW: No Home Movie directed by Chantal Akerman

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No Home Movie
English: No Home MoviePortuguês: Não é um filme caseiro
In No Home Movie, Chantal Akerman films a Skype conversation with her mother, “to show that there are no more distances in the world.” The closeness between the filmmaker and her mother, Natalia, an Auschwitz survivor, is the driving force of the film, showing a relationship of intimacy, affection and complicity, but also one of pain and silence. Filled with the delicacies and vicissitudes of this encounter, the film is an affirmation of its own vulnerability. Due to its singular structure, the film cannot easily be classified as exclusively a documentary, a film essay, or a film diary. Porous and heterogeneous, this structure is unusual even considering the (notably structuralist) cinema made by Akerman, which makes it also a unique experience in her own filmography.

Akerman places herself within the film not only as the interlocutor of the ideas she seeks to articulate, or simply as the daughter in search of dealing with the memories of her mother. She inserts herself through the sensible materialization of her bodily presence, although often her body is not visible on the screen: in these moments, we sense her presence on a sonorous dimension, specially by listening to her breathing; also, in small details like the balance and movement of her body while she’s holding the camera or the eventual reflection of the filmmaker that we can see in the mirrors of the house. Having a portable camera in hand, it is Chantal who films most of the scenes, which are almost entirely dedicated to the exploration of daily activities. As is common in her cinema, these activities are anchored by unstable bodies, protagonists of confused, wandering gestures. Here, these gestures reveal the flaws, inaccuracies and limitations of the bodies being filmed and also of the bodies that are doing the filming—in short, their mortality.

Em Não é um filme caseiro, Chantal Akerman filma uma conversa por Skype com sua mãe, “para mostrar que não existem mais distâncias no mundo”. A aproximação entre a cineasta e sua mãe Natália, mulher sobrevivente de Auschwitz, é a força-motriz do filme, descrevendo uma relação de intimidade, afeto e cumplicidade, mas também de dor e silêncio. Permeado pelas delicadezas e vicissitudes desse encontro, o filme é uma afirmação de sua própria vulnerabilidade. De estrutura singular, o filme não pode facilmente ser classificado, unicamente, como documentário, filme-ensaio ou diário. Porosa e heterogênea, essa estrutura é incomum até mesmo ao tipo de cinema (marcadamente estruturalista) feito por Akerman, o que o torna uma experiência singular também dentro de sua filmografia.

Akerman se coloca dentro do filme não apenas como a interlocutora das ideias que busca articular, tampouco apenas como a filha em busca de colher as memórias da própria mãe. Ela se insere a partir da materialização sensível de sua presença, ainda que muitas vezes seu corpo não esteja visível no quadro: nesses momentos, ela vive na dimensão sonora, por meio de sua ofegante respiração, ou em pequenos detalhes como o balanço de seu corpo enquanto empunha a câmera ou seu eventual reflexo nos espelhos da casa. Tendo uma câmera portátil em mãos, é Chantal quem filma boa parte das cenas, em geral dedicadas à exploração de atividades cotidianas. Como é comum em seu cinema, essas atividades são ancoradas por corpos inseguros quanto à própria estabilidade, personagens donos de um gestual confuso, errante e atrapalhado. Aqui, esses gestos dão a ver as falhas, imprecisões e limitações dos corpos filmados e dos corpos que filmam – em resumo, sua mortalidade.

No Home Movie

No Home Movie is available to stream on Amazon and Fandor. Learn more on the Chantal Akerman Foundation website.

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